Internet
O Twitter atrapalha a experiência?
18 jan 2010
Dias de Fashion Rio e São Paulo Fashion Week. Tenho certeza que muita gente acompanhou no Twitter posts como “Taís Araújo está no backstage da TNG” ou “Daiane Conterato abrindo o desfile da Ausländer”. Jornalistas, blogueiros ou simplesmente curiosos que não desgrudam de seus notebooks e celulares tuitando cada detalhe do que se passava no evento, da sala de imprensa à briga por brindes.

Anna Wintour e seus inseparáveis gadgets
Não é só em desfile. É em todo e qualquer evento. Pode ser uma festa, um show de rock, um comício… O Planeta Terra, por exemplo, tinha uma conta no Twitter. Por lá, fomos informados das bandas que confirmavam presença, preço de ingressos, promoções, etc. Ótimo! No entanto, quando começaram os shows, eu e vários amigos deixamos de acompanhar. Os sucessivos tuites sobre as apresentações nos frustravam. Nós queríamos estar lá, não saber pela internet o que se passava na Chácara Jóquei.

Pouco depois fiz um curso com dois jornalistas da FSP, onde eles falaram que acham que o Twitter está sendo usado de forma vazia. O que acrescenta para nós que estamos em casa ter na nossa timeline 20, 30 pessoas postando que “vai começar o desfile da Têca”? Vamos combinar que até acontece, mas raramente temos no Twitter alguma informação relevante para quem está em casa (falando especificamente da cobertura de eventos). Será que está rolando uma certa preguiça nos jornalistas? Vamos na onda só por ir?
Mas não são apenas as contas oficiais que nos informam sobre o que se passa num show ou desfile de moda. Temos os twitters de jornalistas e de pessoas do público em geral (nossos amigos e conhecidos). A princípio achei estranho quando percebi um colega postando cada detalhe do show do Franz Ferdinand. Continuei achando estranho quando vi alguns amigos tuitando numa festa “estou aqui com @fulano, @beltrano e @sicrano” e depois “está tocando música tal da @bandaxis”, coisas do tipo.
Ou seja, temos uma outra questão, ainda mais complexa e ainda assim interessante ao jornalismo. Para a Vivian, a partir do momento em que alguém começa a escrever no seu celular ou notebook, está desviando a atenção do evento em si (seja um desfile, um show, etc), deixando de perceber os detalhes, enfim não vivencia a experiência, não frui aquele momento. No caso do jornalista, é ainda mais grave, porque tudo isso seria importante para a análise desse evento.

Sala de imprensa da SPFW
Por outro lado, temos muita gente ligada à semiótica e às ciências cognitivas que diz justamente o contrário. Por terem uma visão unificada de corpo-mente, defendem que nós não saímos da experiência para postar algo no Twitter ou qualquer outra rede na internet. Nós agregamos o celular (e o computador, a rede, tudo isso) a essa experiência. Ou seja, criamos uma nova experiência própria, em que o celular faz parte.
Para eles, nosso corpo (mente incluso, óbvio) não entra em parafuso porque tem que ver um desfile, ouvir uma música e escrever ao mesmo tempo. O que falta é tentar e se acostumar. Basta pensarmos nesses adolescentes que já nasceram numa sociedade altamente tecnológica. Eles escrevem SMS no celular enquanto caminham, comem, conversam com outra pessoa. Eles fazem tudo nessa vida com um i-Pod no ouvido e parecem já nascer com 6 dedos em cada mão pra jogar Guitar Hero.

E vocês, o que acham disso? Essa nossa necessidade de estar conectado 24 horas por dia prejudica nossa vida? Faz sentido falar em vida online e offline ou é tudo vida simplesmente?

#Fortaleza – Segundo encontro de blogueiras de moda
12 jan 2010
Moda, luxo, internet, democratização, corpo & consumo, eis os temas do programa ao vivo no ustream no canal Cara do Abuso #2.
Será amanhã, 12 de janeiro, às 20h30.
O programa ficará gravado no mesmo endereço, assim quem não puder assistir na hora, tem como assistir depois.
Dessa vez as participantes somos eu (se minhas amigdalas não explodirem!), Gabriella Vidal, do Just Creuzas, e Ana Carla Barbosa, do Equilíbrio Sempre, novamente com mediação de Mariana Marques
#Fortaleza – Encontro de blogueiras de moda
4 jan 2010
Clarissa Machado says:
”
Resolvi fazer bom proveito da minha estadia na cidade solar para investigar de perto um fenômeno que muito me intrigava: blogs de moda cearenses. Intrigava porque quando inaugurei esse espaço, em abril de 2007, desconhecida de qualquer outro endreço editado em Fortaleza que também tivesse moda como foco até em que 2009 se evidenciou o BOOM desse tipo de mídia na cidade.
Não me contentando em ficar de longe assistindo ao debut blogosfera fashion local, optei por reunir todos os autores representativos da cena para uma conversa franca, quase sincera. Afinal, quem melhor que eles para contar o caso como se deu? A proposta é espécie de encontrinho, em moldes similares do que era feito pelas blogueiras paulistanas sendo que com um plus:
Como? Nossa reunião será transmitida ao vivo via USTREAM em formato de chat, possibilitando a interação dos leitores. Quem preferir pode participar também por twitter enviando perguntas para o @ClarissaMachado.
Quando? Na terça-feira, dia 5 de janeiro, à partir das 12:30 no pelo programa cara do abuso no USTREAM.
Quem? Com Wedson Lierbth, do GETTING UP!, Priscila Furtado, do Coisas que me distraem, Clara Dourado, do The Nerd Fashionist, Andrea Fialho, do Vanguarda e Biatriz Guedes, do Passion 4 Fashion, mediados por Mariana Marques e moi.
Quer dizer: prepare o bloco de notas com questionamentos pertinentes e não deixe de sintonizar nosso canal no USTREAM na data e horário marcado. Oportunidade como essa não se posta todo dia.
“
Internet de sete cabeças
5 nov 2009
Tentando resumir o que foi dito na mesa sobre Futuro da Mídia, mediada pelo Alexandre Matias (Link-Estadão), no Pense Moda. Melhor começar com um dado intessante: em um ano, o percentual de brasileiros que têm o hábito de colaborar com conteúdo na internet passou de 35% para 55%. Isso sem contar o pessoal do copy-paste. Claro que muita gente também só fez atualizar seu perfil no Orkut ou Facebook. Mas:
1. esse é o primeiro passo para uma participação mais efetiva na rede
2. não deixa de ser um número representativo nos mais de 190 milhões de habitantes do País
3. o perfil surpreendeu, a maioria estava distante do eixo Rio-SP: no Norte, Centro-Oeste e Nordeste
A pesquisa foi citada por Fernand Alphen, da F/Nazca (sorry, mas não peguei quem fez ou encomendou), e aponta para a necessidade de se pensar essa mídia em suas especificidades e que não pode mais ser encarada como mero modismo. Apesar de algumas divergências, todos na mesa concordaram que o futuro é digital, mas que persiste um desentendimento dessa quebra de paradigma: a informação não vem mais de cima pra baixo. ”A comunicação se dá em duas vias, o usuário não é mais estático”, disse Andrea Bisker, diretora da WGSN para a América Latina. Vale um parentese pra quem não é do meio: criado há 11 anos, o portal WGSN é tipo um Bloomberg da moda.

Fernand Alphen, Sebastian Orth, Paulo Caruso, Alexandre Matias e Andrea Bisker. Foto: Divulgação
Muito falada, pouco compreendida, a internet é um fenômeno em processo. Ficou claro pelas falas de todos na mesa que os anunciantes são os mais perdidos. Querem marcar presença na rede, mas gastando pouco e calcados em formatos tradicionais. Acham que isso se resume a comprar e vender espaço na internet, como se fosse uma revista ou jornal — então haja banners e anúncios poluindo páginas. Como ainda possuem uma mentalidade mais voltada para o quantitativo do que para o qualitativo, vêm como um investimento de pouca penetração — daí os baixos orçamentos brasileiros para ações na rede. “É uma dificuldade fazer o cliente entender que não é fácil e nem barato fazer um trabalho com qualidade na rede”, comentou Fernand. Foi aí que a Alê Farah, do blog Filme Fashion, não se segurou: “Ah, mas dá sim pra fazer você mesmo bom e barato”. Para ela, com o domínio de ferramentas simples, como editores para blogs, streaming, etc… é possível fazer um trabalho auto-suficiente, opção dela, e bacana. “Sou o Boni, o Bonner, na minha TV”.
Pergunto aos meus amigos experts em mídias sociais a opinião deles. Dá ou não dá pra trabalhar conteúdo de qualidade sem grana? :)
Só pra concluir, duas colocações do Paulo Caruso (Departamento de Mídia da o2 Filmes):
1. O faturamento dos games já superou o de Hollywood em US$ 1 bilhão e cresceu 19% em meio à crise em 2008. O público de game está envelhecendo, não é só mais adolescente que joga. Quando as empresas vão explorar melhor esse nicho?
2. A conversa sobre a internet lembra o início do cinema, com os irmãos Lumiére. Não era nada mais do que um trem rodando, mas todo mundo pirou. Simplesmente por poder ver aquele trem em movimento, ou seja, pela tecnologia.
Pena que quando a discussão toda estava começando a pegar gás, acabou o tempo.
Quando falta a noção…
7 jun 2009
Seu colega de trabalho, vizinho ou roomate carece de bons modos? Quem nunca passou por isso, né. Difícil dizer o hábito mais irritante: aquele que deixa o celular tocando nas alturas, o que cantarola o que só ele está ouvindo no I-Pod, o outro que não repõe o papel higiênico ou ainda o que deixa resto da refeição na geladeira ad eternum, entre tantos outros. Kerry Miller se irritou com um ladrão de comida. Em vez de colocar laxante nos chocolates, o que certamente indicaria o culpado (eu pensaria seriamente nessa opção), ela passou a deixar bilhetes constrangedores. A coletânea deu origem a seu site Passive Agressive Notes – que obviamente recebe inúmeras contribuições de todas as partes do mundo. Yes, a falta de noção parece ser universal.
Recadinho escolhido em clima campanha anti-paredão de som.
Gene Simmons tá pagando de Reginaldo Rossi
15 abr 2009
Tomei um susto vendo Ugly Betty semana passada. Achei que tinha visto Reginaldo Rossi numa ponta.

Gene Simmons, cara, se eu fosse tu, ia na Deusarinna fazer uma maquiagem permanente do Kiss. Ou corre o risco de ir parar de figurante no Clube do Brega, facim, facim…
E este é o melhor blog da semana: cearensesinternacionais.wordpress.com. Tem umas esticadas de baladeira, mas a maioria é mermim que tá vendo.
Para representar a moda
9 mar 2009
Talvez a fotografia seja um dos campos onde a relação entre arte e moda tem sido mais bem resolvida. No mais das vezes, raras exceções, sempre me soa clichêzão – tipo uma muleta: “Não, moda não é fútil, não é efêmera, não é frívola. Moda é arte”. A coisa não desenvolve. A pessoa não tem nem um conceito de arte e já vai tachando algo como tal. E uma discussão que daria tanto pano pra manga morre por falta de argumento…
Na fotografia, parece que se encaixa melhor. Vemos à serviço da moda o formalismo de um Irving Penn, os ares surrealistas de William Klein – e seus ecos em David Lachapelle. Richard Avedon, Helmut Newton… Vejamos agora mesmo o trabalho de Nick Knight.

Alexander McQueen

Naomi Campbell, para a V Magazine
Seu SHOWstudio é mais do que um site. É um projeto colaborativo que se propõe novas formas de representar a moda. E dá um passo à frente: mais do que a fotografia, há vídeos, instalações, luz, sensações táteis e outros jogos.

Parceria com Hussein Chalayan
Inventivo, influente, visionário, Knight é um daqueles casos de ame ou odeie. E particularmente amo. Amo a forma como ele explora o suporte em suas representações e a ousadia em romper com as convenções da beleza, trabalhando com a dor, mutilações, hibridismos… Não por acaso suas parcerias são com estilistas também inquietantes, como Hussein Chalayan e Gareth Pugh.
Inclusive leva a assinatura de sua ex-assistente, Ruth Hogben, o videoarte com a modelo Natasa Vojnovic apresentado semana passada por Gareth Pugh para o seu inverno 2010:
No Brasil, vale lembrar a experiência de Layana Thomaz no Fashion Rio 2006/07, quando sua coleção Made in Japan foi vista em vídeo:
A imagem tem infinitas possibilidades, e a representação da moda, definitivamente, não se resume mais à passarela.
Psicopatas da net
5 mar 2009
Ok, sei que a internet é só o suporte para o psicopata exercer sua loucura, mas adoro filmes, livros, HQs que só poderiam ser concebidos no século 21, como essa tirinha que catei no blog do Mário Aragão.
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É do Adão Iturrusgurai.
