“A Single Man”, palmas para Tom Ford
8 mar 2010
Finalmente fui ver “A Single Man”. Não tem jeito, não consigo usar o título em português.
Apesar de admirar o trabalho do Tom Ford como estilista, empresário e “image-maker” de moda, entrei no cinema com um pé atrás. As primeiras cenas eram de fato muito bonitas, mas não me diziam nada cinematograficamente. Por vezes um clichê, como o close nos óculos caindo das mãos do protagonista, ao receber a notícia da morte do companheiro. Também tive receio de que nos fossem impostas 500 cenas de lembranças idílicas do casal.
No entanto, aos poucos, Ford parece se desvencilhar desses vícios e nos oferece um filme acima de média, principalmente para um diretor estreante, sobre os efeitos de um evento trágico sobre a vida e o cotidiano. Há inclusive soluções estéticas refinadas, como no uso da luz na bela fotografia do filme. Cores frias no cotidiano presente e saturadas nas lembranças felizes. As cores se tornam vivas em outros momentos, mas contar seria estragar o desenrolar do filme. Mas um vício permanece até o fim, um vício que particularmente me incomoda MUITO: o uso excessivo de música com o claro intuito de guiar a emoção do expectador, mesmo em cenas que já emocionariam por si só.
Na saída, alguns reclamavam do ritmo “arrastado”. Não achei um filme lento, achei na medida, já que basicamente o roteiro se concentra temporalmente em uma tarde e noite na vida do personagem — e se resolve. E, sim, se não fosse Jeff Bridges recebendo seu Oscar por “Coração Louco” (ou seria pelo conjunto da obra?), Colin Firth seria um nome forte para a academia. O elenco secundário, Matthew Goode e Nicholas Hoult, também não faz feio. E quem não gostaria de contar com Julianne Moore, quase sempre excelente, como coadjuvante de luxo?
Em um filme dirigido por um egresso da moda, não há como não atentar para os figurinos. Ao contrário do que poderíamos imaginar, não ficou por conta do próprio Tom Ford, mas da figurinista Arianne Phillips. Como a história se passa nos anos 60, interessante notar a referência a ícones da época. Explícita, caso de Carlos (James Dean), que se mostra até mesmo no diálogo. Implícita, mas evidente em Lois (Brigitte Bardot), personagem da top brasileira Aline Weber, que entra muda e sai calada, mas BELÍSSIMA. Mas o que mais me chamou atenção foi a incrível semelhança da caracterização do protagonista George Falconer com o personagem de Marcello Mastroianni em 8 1/2, de Fellini. Compara:
Como ainda estamos na ressaca do Oscar, vale comentar que “A Single Man” poderia ter recebido uma atenção maior da academia.
O novo clipe do Ok Go! e outros planos-sequência
5 mar 2010
Postei no Facebook e no Twitter o novo clipe do Ok Go!, dirigido pela própria banda e James Frost, com ajudinha do pessoal do Syyn Lab, coletivo de arte e tecnologia, e várias pessoas acharam o máximo. Inclusive eu, que já estou cogitando colocar a banda na mesma categoria do Supergrass, White Stripes e Björk — a saber, a categoria é “não tem um clipe ruim, como é que pode?”.
Nenhuma novidade de fato no clipe do Ok Go!. É que planos-sequência, seja em uma novela, no cinema ou em um clipe, costumam mesmo fascinar a audiência, principalmente quando mostram ações que motivam outras ações em efeito dominó (no caso, literalmente até).
O próprio Ok Go é “useiro e vezeiro” do plano-sequência, que é o registro da ação em uma sequência inteira, gravada de um só fôlego, sem cortes. Essa mesma música, This Too Shall Pass, já tinha um clipe com a banda de marcha de Notre Dame, dirigido em parceria com Brian L. Perkins, lançado em janeiro. Os mais famosos, A Million Ways e Here It Goes Again (o famoso clipe das esteiras) seguem a mesma fórmula — embora os mais puristas seguidores de Jacques Aumont possam considerá-los apenas um plano longo, não um plano-sequência, já que a câmera é fixa.
Dá pra imaginar que é preciso muito ensaio e precisão. Um erro inviabiliza todo o clipe. Fiz uma listinha de clipes que recorrem ao plano-sequência.
Bitter Sweet Symphony, sem dúvida a música mais famosa do Verve e um tradicional plano-sequência do tipo “câmera no ombro”.
O Kaiser Chiefs também tem o seu: Love’s Not A Competition, já em outro estilo, com mais movimentação de câmera.
Esse eu amo! Música ligeira, estética 60’s e jogo de luz e sombras. Standing Next to Me, do Last Shadow Puppets.
No Brasil também tem plano-sequência. Bebendo Vinho, a música do Wander Wildner na versão do Ira!.
O clipe de Open Your Eyes, do Snow Patrol, banda que de vez em quando acerta, é um vídeo gravado em 1976 pelo diretor francês Claude Lelouch. C’était un Rendez-Vous é uma corrida em alta velocidade pelas ruas de Paris de madrugada. A intensão era testar um equipamento estabilizador de câmera.
Ok, um plano-sequência já é bacana. E cinco? Foi o que Michel Gondry fez com Kylie Minogue em Come Into My World.*
Em Sugar Water, do Cibo Matto, o negócio é ainda mais engenhoso. Tela dividida ao meio em dois planos-sequência simultâneos e sincronizados, um de trás para frente, e o outro é linear. Depois eles trocam de lugar. Adivinha quem é o diretor? Michel Gondry, claro! *
* Não foi maldade minha não colocar os clipes. Graças a um eficiente trabalho da EMI e da Warner, não tá fácil incorporar vídeos dos artistas contratados das duas gravadoras. Mas é só clicar no nome da música que você chega lá.
3D são os óculos da temporada
22 fev 2010
Prada Butterfly, Tom Ford Whitney, Rayban Wayferer… Toda temporada tem seus óculos-febre. E desta vez não é diferente. Eis aí “a tendência” ou “vontade” desse comecinho de 2010:
A técnica 3D nem é nova, surgiu nos anos 50 e foi muito utilizada em filmes de terror norte-americanos. Após alguns ensaios pontuais de retorno no cinema (Era do Gelo 3, por exemplo), Avatar veio arrasando com tudo. A força do blockbuster de James Cameron parece ter chegado também à moda, que a cada dia flerta mais intimamente com a tecnologia digital e a sociedade em rede (veja aí o boom dos blogueiros-celebreties).
Amanhã, às 16hs (13hs, no horário de Brasília) a inglesa Burberry fará o primeiro desfile em tecnologia 3D do mundo na semana de moda de Londres, com live streaming nas principais capitais da moda, Nova York, Paris, Dubai e Tóquio. Apesar de ter agendado seu retorno ao Brasil para o fim de março, com uma loja no Iguatemi de Brasília, nosso país não terá esse privilégio. No entanto, qualquer pessoa poderá acompanhar a apresentação (em 2D, evidentemente) em tempo real pelo site live.burberry.com e fazer comentários pelo twitter e facebook.
Na revista Archetype X, podemos ver o editorial Total Eclipse of the Heart, fotografado por Baldovino Barani também em três dimensões. Com styling de Winton J. Dean, a modelo Yana Pova foi penteada e maquiada por Uting Ke, com características bem expressivas como as sobrancelhas ultramarcadas (Givenchy? Belgas apagadas? Tchau!) que ficam ainda mais ressaltadas em 3D.
Para sua próxima revista, The Collective KRTL, o fotógrafo brasileiro Jacques Dequeker optou pelo mesmo caminho 3D ao fotografar as modelos Renata Sozzi, Alicia Kuczman e Carolina Thaler, no ensaio Angels.
Embora não seja qualquer um que tem bala na agulha pra bancar uma empreitada dessas, já dá pra imaginar que devem começar a pipocar por aí experiências em 3D. Então, corre lá no armário, cata a Dazed & Confused de agosto do ano passado e pega os óculos 3D que vieram de brinde. Lembra não? Aquela com a Julia Hafstrom na capa e shooting em 3D. Foi curtinho o editorial, eu sei, mas foi deles o pontapé inicial.
Não tem essa revista e desprezou os óculos do Cinemark? Sem problema, apela pra solução caseira. Como é que você foi esquecer da internet, hein? Tsc… tsc…
Acrílico na Prada
21 fev 2010
Atacando por todos os lados
19 fev 2010
Só pra lembrar que estamos no Twitter: @primeirafila
E também respondendo pelo Formspring.me: www.formspring.me/primeirafila
A gente é “todo ouvidos” ;)
Também tomei vergonha na cara e atualizei o blogroll e organizei meu portfólio bem direitinho. Confiram!
Alexander McQueen: 3 momentos inesquecíveis
11 fev 2010
Alexander McQueen faz parte de uma geração de jovens britânicos de classe média e baixa que se recusavam a formar mais uma fileira de operários. Nas escolas de artes e design encontraram o ambiente ideal para desenvolver a cultura de rua e a vestimenta como subversão de códigos. Para McQueen, a moda não era um fim, mas um meio.
O choque e a provocação não estavam apenas nas roupas — muitas delas nunca comercializadas — e que lhe renderam os epítetos de “hooligan da moda” e “l’enfant terrible”; mas também na própria apresentação. Dramático, teatral e performático são adjetivos que acompanharam as críticas de seus desfiles. As rápidas mudanças de valores estéticos e econômicos estão entre os temas que nortearam sua produção. Um dos mais presentes é a tecnologia, quase sempre associada à rigidez, mas que em McQueen criou momentos delicados, orgânicos, humanos.
Sem me alongar mais, selecionei alguns momentos inesquecíveis do espetáculo que McQueen nos proporcionou:
Primavera/Verão 1999: Robôs “atacam” a modelo, dando-lhe um vestido único, não reproduzido em série, como se esperaria de uma máquina.
Primavera/Verão 2005: O jogo da moda explicitado na passarela em forma de tabuleiro de xadrez. As peças são as modelos.
Outono/Inverno 2006: Kate Moss encerra o desfile. Ou melhor, seu holograma etéreo e angelical. Puro encantamento.
Makemaniacas Fortaleza – 31/01/10
9 fev 2010
Desculpem o atraso de mais de uma semana, mas é que às vésperas de voltar pra SP e com trabalhos ainda pendentes, a vida está uma loucura. Só queria agradecer de coração às meninas da Makemaníacas pelo evento super bonitinho e organizado do qual fizemos parte eu, Mariana Marques e Luciana Andrade. Nós falamos sobre o luxo, como esse conceito vem mudando e as estratégias que as empresas têm adotado para nos fisgar — uau!
Foi ótimo conhecer tanta gente nova, com interesses em comum e muita vontade de trocar experiências. Muitas surpresinhas quando falamos de produtos com custo-benefício bem atrativos. Na minha lista entraram o pó solto e o blush da Mary Kay e o hidratante que não mela da Eh! (preciso de um substituto para o meu Spa Wisdom da Body Shop, nhem). Infelizmente minha alergia nos olhos me impediu de aproveitar muitas dicas. Ainda aceito algumas sugestões de produtos hipoalérgicos, que não dá pra viver só de Clinique, né, povo. E, sim, já tô muito querendo os produtos da Kleyderme, que foram apresentados lá, principalmente a água termal e o creme dois-em-um com retinol e vitamina C.
Na hora do sorteio, paquerei horrores com as sacolinhas da Diva e da Menta Café, mas no problem. Ganhei um lápis Duda Molinos nume com borrachinha. Mas… ai, minha alergia. Catei no produto inteiro e não encontrei nenhuma indicação de que fosse hipoalêrgico. Tive que trocar por um batom. Infelizmente perderei o próximo, pois o dever me chama a muitos quilômetros de Fortaleza, mas deixo uma dica preciosa: vá! e leve dinheiro, cash, grana. Algumas meninas levam produtos para vender lá e nem sempre rola cartão. Babei nos produtinhos da Nyx, mas como já estou esperando uma encomenda de 527 batons e blushes da marca (ok, exagerei) fechei os olhinhos com força.
Fico devendo fotinhas e tal.
Backstage – palestras e sorteios
8 fev 2010
Sem programação pra essa quarta pré-carnavalesca em Fortaleza? Minha sugestão é o evento Backstage, que está sendo organizado por um pessoal bem bacana da moda cearense. O intuito do encontro é levar informações de moda além dos desfiles, com palestras de quem está dentro do negócio (os estilistas André Castro, Gilvânia Monique e Jade Maranhão). Além disso, sorteios de brindes Gilvânia Monique, Brechó Reivenção e Mar del Castro.

Então anota aí, vai ser quarta-feira agora, dia 10, às 18:30, no Reinvenção (Rua João Cordeiro, 1675 – Aldeota)
Ah, importante: o evento é gratuito, mas as vagas são limitadas. Para participar é preciso se escrever até dia 09/02/10 (amanhã) pelo e-mail eventobackstage@gmail.com enviando nome completo e telefone.
Moda e narcisismo
27 jan 2010
Sobre a polêmica das modelos magérrimas na São Paulo Fashion Week e essa “promessa” de flexibilização de padrões corporais nas revistas, me ocorreu um pensamento. Pode ser simplesmente viagem, mas…
Historicamente a moda acompanha a sociedade e por ela é acompanhada. Ou você acha que a meinha de lurex pegaria nos anos 70 se não houvesse todo um contexto disco? Ao mesmo tempo, toda a cultura das discotecas foi reforçada pela moda disseminada pela novela, instituição nacional.
(Parênteses: já disse que, pra mim, as pessoas mais poderosas da moda brasileira são Marília Carneiro e Emília Duncan, né? São top figurinistas da Globo)
Enfim, exemplos não faltam: Dior e a sociedade abalada (economicamente, politicamente e esteticamente) pela guerra, Chanel e as mulheres que passam a trabalhar e praticar esportes, Saint Laurent e suas provocações sexuais…
Posso estar equivocada, mas qual é uma das principais marcas desse início de século 21? Eu apostaria nessa espécie de narcisismo tecnológico que vivemos, em que as pessoas querem fazer parte da mídia, seja ela tradicional ou as chamadas “novas mídias”.
Jovens que mandam vídeos feitos por elas mesmas para os grandes portais e programas de TV — como o TVZ do Multishow, que jogam suas produções no Youtube, suas fotos no Fotolog e suas opiniões no Twitter. E a febre de realities? E os tais blogs de estilo de garotas e garotos comuns? É claro que as pessoas ainda buscam referenciais estéticos em modelos, atrizes e cantoras, mas não apenas. Hoje, elas vêem também a si mesmas.
E a maioria não veste 36.
(PS: sei que a internet, assim como a moda, vaga pelo terreno do “parecer”, mas isso é assunto para outro post)
“O Jardim das Horas” lança primeiro álbum em SP
23 jan 2010
Essa é pra quem está em São Paulo: amanhã, domingo, 24 de janeiro, a banda “O Jardim das Horas” faz show de lançamento do seu primeiro álbum “Do Quarto ao Jardim”. O nome faz referência ao antigo nome da banda, “O Quarto das Cinzas”, surgida em Fortaleza, mas que depois se fixou em São Paulo.
O show vai ser na sala Adoniran Barbosa, do Centro Cultural SP, a partir das 18hs. O ingresso está quase dado: apenas R$ 5.
Nas apresentações do grupo, a preocupação não é só musical, mas também visual. Dessa vez, contará com algumas participações especiais: Paulo Beto (anvil FX) que produziu o disco junto com Dustan Gallas e O Jardim, a atriz Mariana Rattes, o guitarrista Junior Boca, a artista plástica Mari Kuroyama, Fernando Coelho do Mama Cadela, a bailarina Patrícia Bergantin, o cineasta Jair Molina, Vitor Colares do Fóssil, o poeta Caco Pontes e o bailarino Felipe Teixeira.








